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"Aterrámos" em Lanzarote...

por Os bloggers, em 23.01.18

Estamos em pleno Inverno, mas caminhamos a passos largos para dias longos e quentes...

É com este pensamento que partilhamos convosco a nossa escapadinha a Lanzarote, nas Canárias.

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Este foi o texto que mais tempo viveu em forma de Rascunho na Pasta de Rascunhos do Blog, não sabemos porquê... talvez porque ficou o desejo de voltar à Ilha que um dia encantou e acolheu José Saramago... Foi um parto díficil, mas hoje é um dia feliz porque nasceu este post, depois de um arrastado trabalho de parto (leia-se, processo de criatividade)...

 

Começamos por desvendar um pouco sobre Lanzarote:

- Lanzarote é a ilha mais oriental do arquipélago das Canárias.

- Fica apenas a 113 quilómetros da costa de África.

- É formada por vulcões adormecidos, enormes crateras e rios de lava.

- A capital de Lanzarote é Arrecife desde 1852.

 

Além do fantástico clima, do mar calmo e com uma temperatura que permite andar horas a nadar, ideal para os adultos mas principalmente para as crianças, Lanzarote é também rica em locais turísticos que merecem uma visitinha. Sendo uma ilha vulcânica, a maioria desses locais está ligada aos Vulcões e à forma como moldaram a ilha e a vida dos seus habitantes.

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Visitámos Lanzarote num mês de Julho. Estava calor, o que fez com que o vento (característico da ilha) não nos importunasse em nada!

Ficámos na zona de Puerto del Carmen, uma das zonas mais turísticas, a meio da ilha e relativamente perto do aeroporto.

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Acertámos na zona, já a escolha do hotel não foi a mais feliz... era grande, barulhento (discoteca infantil com som a ecoar por todos os pisos até à meia-noite!), piscinas sempre a exceder a lotação, higiene das zonas comuns apenas qb... não foi mau, mas também não foi propriamente bom e por isso não vale a pena recomendar...

Escolhemos o regime de meia pensão e se voltássemos aquela zona da ilha voltariamos a apostar neste regime.

Fizemos praia a maioria das vezes nas imediações do hotel, zona mais calma um pouco a Este do centro de Puerto del Carmen, mas também nos estendemos ao Sol no centro de Puerto del Carmen, um local bem mais povoado de turistas, com um areal mais extenso  e com bonitas palmeiras.

A águas são calmas, temperadas e transparentes, permitindo fazer snorkelling junto à costa, mesmo sem grandes apetrechos. Relaxante!

Mas as férias não são só praia e nós adoramos explorar novos locais.

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Das visitas que fizemos em Lanzarote destacamos a visita à Casa de Saramago (e Pilar), em Tías, a cerca de 10 minutos de carro de Puerto del Carmen. Um local muito bonito, que desvenda parte da vida do nosso Nobel da Literatura. Imperdível! Espreitem aqui e fiquem a saber toda a nossa experiência nesse local.

Lanzarote tem muito por explorar, a maioria são obras da natureza, por isso não percam "os próximos episódios".

 

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publicado às 10:00

Visita à Casa de José Saramago

por Os bloggers, em 16.11.17

Hoje, 16 de Novembro, a data de aniversário do "nosso" Nobel da Literatura José Saramago, recordamos o dia em que visitámos "A Casa", forma como é conhecida a casa que foi o refúgio de Saramago desde 1993 até à sua morte, em Tías na ilha de Lanzarote.

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Terá sido em Maio de 1991 que Saramago e Pilar se deslocaram a Tenerife para uma conferência, aproveitando a viagem, foram até Lanzarote para visitar os cunhados de Pilar e terá sido nessa ocasião que Saramago se deslumbrou com a paisagem da ilha. Nesse momento, Saramago e Pilar decidiram fixar a residência naquele local construindo a Casa e mais tarde a biblioteca.

"A Casa" de Saramago abriu ao público 9 meses após a sua morte, obedecendo à lógica poética do romance da sua autoria "O Ano da Morte de Ricardo Reis", onde a personagem Ricardo Reis tem uma conversa com Fernando Pessoa, que está morto, e lhe explica que são precisos nove meses para que os vivos se esqueçam dos mortos.

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A visita é feita com o auxílio do áudio-guia que, pelos textos criados por Pilar, nos relata pormenores da vida profissional e pessoal de Saramago, à medida que vamos avançando pelas divisões da casa.

 

A Sala

Antes de entrarmos na sala, passamos pelo hall de entrada onde, entre muitos objectos e pinturas, é possível ver um relógio que está parado nas 16h, hora em que Saramago conheceu Pilar.

A sala era lugar de descanso, com uma janela com vista para o mar que rodeia a ilha, que para Saramago e recordando palavras de César Manrique, era "a melhor obra". As paredes são revestidas com quadros relacionados com as suas obras.

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O Escritório

Foi sobre a mesa de pinho que ainda hoje lá está que escreveu as obras "Ensaio sobre a cegueira" e "Os Cadernos de Lanzarote". Em frente à secretária num móvel de madeira mexicana, estão retratos dos seus avós, pais, da sua filha, dos netos e da esposa. Na parede está uma cópia do Prémio Nobel.

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O Quarto

Foi aqui que no dia 18 de Junho de 2010, após tomar o pequenos almoço e ter voltado para a cama para descansar mais um pouco, acabou por descansar para sempre, com a mesma simplicidade que pautou a sua vida.

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A Cozinha

Para Saramago, a cozinha era um local de convívio, por vezes trabalho, tertúlias prolongadas, um local onde gostava de receber os seus amigos. Nesta cozinha passaram algumas figuras muito conhecidas como Mário Soares, José Luis Rodríguez Zapatero, Bernardo Bertolucci, Susan Sontag, Juan Goytisolo, Carlos Fuentes, Álvaro Siza Vieira, Ángeles Mastretta, Pedro Almodóvar, entre outros.

Podemos admirar peças que Saramago foi adquirindo nas suas viagens pelo mundo e como Saramago faria, somos convidados a beber um saboroso café português, que bem que nos soube!

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O Jardim

O jardim pode-se dizer que deu alguma luta, o solo necessitou de algum trabalho e foi preciso transportar terra para aquela zona para que Saramago pudesse dar início ao seu Jardim. Começou pelas palmeiras porque são nativas, pinheiros canários, uma romãzeira de Granada e dois marmeleiros. Depois continuou com um Olmo, uma sobreira cuja semente Saramago levou de Portugal, duas oliveiras portuguesas e duas oliveiras andaluzas. Era aqui que se costumava sentar e "gostava de sentir o vento, saber-se vivo, olhar o mar, pensar que o mundo pode ter remédio, que a humanidade que trazemos em nós deve prevalecer sobre a maldade".

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A Sala de Reuniões

Foi pensada inicialmente para as reuniões da direcção da Fundação José Saramago, no entanto, a Fundação tem a sua sede em Portugal. Acabou por servir mais de sala de refeições quando os encontros se prolongavam ou de sala de conferências.

Nas paredes da sala é possível admirar algumas obras de arte como uma gravura do Prémio Nobel de Literatura Gao Xingjian, um desenho de Alberti ou uma paisagem da Islândia de Ildefonso Aguilar, país pelo qual Saramago sentia grande afecto.

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A Biblioteca

"Uma casa feita de livros" era a descrição que Saramago fazia da sua casa. Segundo as suas palavras "esta biblioteca não nasceu para guardar livros, mas sim para acolher pessoas" e os livros, há que abri-los com cuidado, porque têm dentro o autor, com toda a sua sensibilidade, com tudo o que o fez ser único e irrepetível.

Aqui, por trás da sua cadeira, está um quadro do pintor checo Jiri Dokoupil, que retrata o casal em desenhos feitos com fumo de vela e tinta amarela. A biblioteca conta um acervo de cerca de 16 mil livros, entre outros objectos e muitas fotografias. 

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A Oliveira

Esta oliveira fez a viagem de avião num pote entre as pernas de Saramago. Não se sabia se ia resistir ao solo árido da ilha mas esta oliveira alentejana provou que se aguentaria e apresenta-se frondosa e verde. Hoje, recebe os visitantes desta fantástica casa museu!

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A Casa está aberta de segunda-feira a sábado das 10h às 14h e os bilhetes custam 8€.

Fizemos a visita no último dia de férias mesmo antes de ir para o aeroporto e adorámos, os textos do áudio-guia transportam-nos para o dia-a-dia de Saramago, como se estivessemos a passar uma manhã na casa de um amigo.

Se puderem, não percam a oportunidade de visitar.

Bons passeios!

 

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